Este blog é um diário que pretende retratar o mundo e as coisas do dia a dia pelas lentes sensíveis da Cultura, Lazer, Turismo, Literatura e Ecologia. São lembranças vivas que irão compor um álbum de histórias e imagens diversas que, com certeza, ficarão registradas na nossa memória. Sou Dulce Lima, 71 anos, Mãe, Avó, Poetisa, Amante da Leitura e da Escrita, Sertaneja, Cronista e viajante.
quarta-feira, 16 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Era quase meio dia. O sol dominava tudo. A cidade parecia adormecida após a folia carnavalesca.
Casas antigas, ruas, a praça e a igreja matriz exibem uma mística, ou
um encantamento que ainda luta para não desaparecer no Sertão do Cariri.
um encantamento que ainda luta para não desaparecer no Sertão do Cariri.
A Rede Globo ao vivenciar um projeto de descentralização da cultura brasileira deslocou-se para Taperoá , Paraíba, em 2007 onde passou alguns meses construindo uma cidade cenográfica, ensaiando com atores locais e outros da Globo , ate filmar com sucesso a Minissérie A Pedra do Reino, baseada no livro do escritor paraibano e ilustre personalidade Ariano Suassuna.
A cidade cenográfica construída em gesso e madeira; com espelhos e outros materiais da região, tornou-se orgulho do povo de Taperoá. Assim, essa minissérie podia mostrar ao mundo que as culturas nordestina e sertaneja têm raízes ibéricas, árabes e muitos elementos da idade Média.
Com o final das filmagens, a Prefeitura , o Estado da Paraíba e a Fundação Roberto Marinho assinaram um acordo para a não destruição da cidade cenográfica. Homenagem justa aos simpáticos taperoenses e ao escritor e teatrólogo Ariano Suassuna. As paredes seriam reconstruídas em alvenaria para suportarem os efeitos climáticos da região. E o local funcionaria como espaço de cultura e arte dos moradores daquele município.
Não foi o que vimos agora (2011). A cidade cenográfica desapareceu com exceção da misteriosa igrejinha que ficava no centro da casario..
Aproximei-me para uma foto: lixo, vidros quebrados, restos de madeira podre... triste cenário que nem mesmo a ousadia do personagem, rei e herói “ Quaderna” foi capaz de chamar a responsabilidade do Prefeito por tamanho descaso com a cultura taperoense.
Do deserto do sertão!
Forje no Sol do meu sangue,
O Trono do meu clarão:
Cante as pedras encantadas
E a catedral soterrada,
Castelo deste meu chão!”
( Ariano Suassuna, na apresentação do livro A Pedra do Reino)
( Dulce Lima, 09/03/2011)
quinta-feira, 10 de março de 2011
Escrita por Dulce Lima, mãe do Ultramaratonista Júlio Cordeiro e das corredoras Mônica e Mariana
Senhor Jesus:
Aqui estamos, reunidos para uma nova largada, seguindo os teus ensinamentos quando disseste que sempre que dois ou três se reunissem em Teu Nome, Tu estarias no meio deles.
Assim, nós te pedimos, Jesus:
Aceita as nossas preces como uma grande corrida para ver o mundo com mais paixão, respeito e determinação.
Que as ladeiras sejam para nós motivos de superação; e as planícies possam ser um momento de reflexão sobre os limites que o corpo nos impõe.
Obrigado, Senhor, pela emoção dos primeiros quilômetros alcançados, ou pela alegria incontida da primeira Maratona.
Obrigado, Senhor, pelas amizades conquistadas, pela palavra certa na hora mais difícil do percurso, e muito obrigado, de coração, pelos que ansiosamente nos esperam na reta de chegada.
Que a dor, a fadiga e os sentimentos desencontrados se dispersem pelas curvas do caminho, levados pela brisa passageira ou pelo encantamento das paisagens.
Que a Tua benção, ó Senhor, seja o nosso único troféu, na certeza de que:
Se caminhar é rezar com as pernas,
Correr é voar com Deus do nosso lado.
AMÉM
(Do blog irmascordeiro)
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Uma janela solidária
Desta janela de pestanas sempre abertas para o sol nascente, recebo comovido o calor da solidariedade que vem do céu e perpassa meu limitado horizonte aqui na terra.A cabeça já não é o centro do meu fragilizado corpo. Perdi os limites do tempo e do espaço.
As horas são apenas peças de um jogo sem começo e sem fim. As lembranças fugidias misturam presente e passado e excluem o futuro. O mundo gira mesmo diante de minha passividade. Mas a janela permanece aqui... E sobre ela, as nuvens vêm brincar comigo. Nuvens vaqueiras, espertas e ligeiras, que mais parecem flocos de algodão embranquecendo os roçados de uma infância tranqüila e despreocupada. Ou são como anjos solidários num mundo cheio de promessas de paz infinita, onde reina absoluto o Deus do Amor.
Uma simples janela me traz inconfundíveis lições de convivência, quebrando o silêncio angustiante entre quatro paredes de um hospital:
· É pequena, mas capaz de alargar horizontes para melhor servir.
· É igual a muitas outras janelas, porém diferente no seu jeito de olhar e de chegar mais perto dos necessitados.
· Ela me ensina que as nuvens ,apesar de enfeitarem a minha janela, não são propriedade particular, pois se espalham pelo céu inteiro em busca de outros espaços.
Minha janela solidária é muito mais do que tenta expressar. Ela me traz a certeza de que a humanidade só será feliz quando houver coração pronto para perdoar sem restrições. Para ajudar sem interesses. Para amar sem cobranças.
E tudo me leva a crer que:
Vale a pena ter vivido a grande lição da janela que clareia os caminhos e faz nascer o amor e a compreensão entre todos os irmãos, nesse espaço de luz que Deus nos concedeu.
Dulce Lima , 31/07/1999
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Trechos do poema "Violentada", da poeta Celeste Vidal
Essa Pátria que me deram
Sem que eu pudesse escolher,
Vestia-se de fantasia
E dizia-se: é primazia
O fato de aqui nascer.
Eu pegava o seu mapa
Para aprender a lição:
Norte, sul, leste, oeste
E este grande Nordeste
Botava no coração.
Ora, se ela é "mãe gentl"
Vai cuidar do meu futuro...
No futuro mergulhei,
deste sonho acordei
Em completo desatino.
Que é feito do azul
Que hoje virou cinzento?
Que canto de ninar é esse
Que não é canto, é lamento?
Vamos fazer Pátria livre
Sem dever nada a ninguém.
Com a terra pra seu povo,
No Nordeste, país novo,
Sem injustiças também!
( Celeste Vidal. Livro: Metade sol, Metade sombra, pág 15, Edit. Bagaço, 1994)
Sem que eu pudesse escolher,
Vestia-se de fantasia
E dizia-se: é primazia
O fato de aqui nascer.
Eu pegava o seu mapa
Para aprender a lição:
Norte, sul, leste, oeste
E este grande Nordeste
Botava no coração.
Ora, se ela é "mãe gentl"
Vai cuidar do meu futuro...
No futuro mergulhei,
deste sonho acordei
Em completo desatino.
Que é feito do azul
Que hoje virou cinzento?
Que canto de ninar é esse
Que não é canto, é lamento?
Vamos fazer Pátria livre
Sem dever nada a ninguém.
Com a terra pra seu povo,
No Nordeste, país novo,
Sem injustiças também!
( Celeste Vidal. Livro: Metade sol, Metade sombra, pág 15, Edit. Bagaço, 1994)
O tempo, o amor e a saudade nos poemas de Paulo Matricó
Dois versos, dois pedaços de memória
Vêm da terra que encerra
Um sonho feito pra mim
Que o tempo a ferro marcou!
Tudo passa sobre os trilhos
Na dança do tempo:
Teu olhar e o meu,
A vontade, o sorriso,
O incerto e o inverso.
Na ânsia de querer
não ser mais sozinho,
Te vi, quanta graça
nas asas das brancas garças...
Assim te vi, ave cantadeira,
Minha paixão, encanto de sereia.
Assim naufraguei
Com os meus olhos nos teus!
( O poema foi totalmente composto com algus versos salteados de estrofes feitas por Matricó no seu livro "Ser Tão Louco". O meu trabalho foi apenas de encaixá-los no momento certo e dar um sentido ao novo texto poético. Dulce Lima, em 28/03/1998)
Vêm da terra que encerra
Um sonho feito pra mim
Que o tempo a ferro marcou!
Tudo passa sobre os trilhos
Na dança do tempo:
Teu olhar e o meu,
A vontade, o sorriso,
O incerto e o inverso.
Na ânsia de querer
não ser mais sozinho,
Te vi, quanta graça
nas asas das brancas garças...
Assim te vi, ave cantadeira,
Minha paixão, encanto de sereia.
Assim naufraguei
Com os meus olhos nos teus!
( O poema foi totalmente composto com algus versos salteados de estrofes feitas por Matricó no seu livro "Ser Tão Louco". O meu trabalho foi apenas de encaixá-los no momento certo e dar um sentido ao novo texto poético. Dulce Lima, em 28/03/1998)
Do fundo da gaveta para o blog, páginas amareladas pelo tempo
Espera...
Esperança...
Ânsia?
Ia mudar tudo: o morro, o casebre, a escola do filho,
a saúde, a estrada, a segurança na volta pra casa.
O pão menos dormido,
A vida mais acordada,
O leite na mesa...
A mesa na sala.
A sala. Você.
Os sonhos...
Desfeitos... Rasgados!
Na lama, junto aos dejetos,
Jaz a ESPERANÇA.
Morreu por último!
13/10/1988
Trabalho feito na UFPE durante a Especialização em Lìngua Portuguesa / Literatura Brasileira
Esperança...
Ânsia?
Ia mudar tudo: o morro, o casebre, a escola do filho,
a saúde, a estrada, a segurança na volta pra casa.
O pão menos dormido,
A vida mais acordada,
O leite na mesa...
A mesa na sala.
A sala. Você.
Os sonhos...
Desfeitos... Rasgados!
Na lama, junto aos dejetos,
Jaz a ESPERANÇA.
Morreu por último!
13/10/1988
Trabalho feito na UFPE durante a Especialização em Lìngua Portuguesa / Literatura Brasileira
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