sexta-feira, 6 de maio de 2011

A MÃE E AS ESTRELAS NA CRIAÇÃO DO MUNDO
Depois de um sol sem nuvens com brisa suave, chovia muito naquele entardecer do sexto dia em que Deus terminara a Criação do Mundo. Ele estava cansado, mas feliz pois viu que a sua obra como Arquiteto Universal jamais seria destruída pela ação do tempo.
O céu bordado de estrelas, o mar de peixes, a terra cheinha de gente, a fauna e a flora com os saberes e os mistérios que há nos rios, nas pedras, nos vulcões soltando faíscas e nos planetas como  imensa roda-gigante sem jamais descarrilar...Enfim, toda NATUREZA  experimentava seus primeiros e bem coordenados passos diante do Criador.
E DEUS, antes de descansar no sétimo dia, ergue as mãos e abençoa toda a Criação.
Não demorou muito e logo uma pequena estrela num faiscar nervoso, após saudar o Criador do Mundo, ensaia logo uma reclamação:
_SENHOR DEUS, é tudo muito bonito, confesso que pasmei de tanta beleza; e o firmamento é o meu carrossel de brinquedos. No entanto, eu me sinto perdida nesse imenso globo celestial. Como não ter medo da bravura do mar, da carranca dos rochedos, dos astros espalhando terremotos, da chuva que traz dilúvio, do ar que só fala em vendaval? Afinal, eu sou tão pequena...
DEUS em sua infinita sabedoria assim responde:
_Sossega, estrelinha. Todas as coisas criadas e até as que estão por vir terão não só o meu olhar de PAI abençoando tudo. Elas terão também o afago, o carinho, o olhar cuidadoso e o amor daquela a quem chamaremos de MÃE.
Diante das mães, o mar é onda suave que vem beijar seus pés.
Por ela, o sol se abranda.
A rocha é  santuário enfeitando o horizonte.
A terra se veste de flores.
 O vento seca as lágrimas.
E numa esteira de luz, o paraíso é teu..
Escuta bem, estrelinha:
Terás a partir de hoje a nobre e santa missão de brilhar junto com elas – AS MÃES.  Assim,  ordena  o nosso Deus.
E desde então, não há como separar a MÃE _  das estrelas:
MÃE é luz que brilha mesmo na escuridão.
MÃE e ESTRELA se harmonizam de tal forma que navegam unidas na galáxia eterna de nossos corações.
Na terra ou no céu, perto ou distante, haverá sempre uma ESTRELA-MÃE a nos proteger no aconchego dos seus braços.


Dulce Lima, no Dia das Mães, em o8  de Maio 2011, Tabira PE
Com um abraço carinhoso para as mães tabirenses e as mães do mundo inteiro.
 

domingo, 1 de maio de 2011

Uma viagem cercada pelo encanto das flores

Arco do Triunfo,Paris,França,2011

Dessa vez minha intenção foi rever lugares inesquecíveis, olhar com mais atenção os monumentos,museus, parques,  jardins, praças, ruas medievais e mercados de Paris, Bordeaux e Saint  Emillion na França; Madri, Toledo e Barcelona, na Espanha.
De tudo o que vi e revi aprendi que a Cultura não tem divisas. É patrimônio a ser preservado por toda a humanidade.

Paris é sempre uma grata surpresa.É festa de luz, cores e perfumes.
Ver uma Maratona em Paris com partida e chegada no Arco do Triunfo e tendo filho e amigos participando desse evento,  é emoção  pra toda vida.
E o rio Sena traz a poesia de um final de tarde na “ponte dos cadeados!”.

Bordeaux é pura sedução. Ornada pelo Rio Garonne, esta cidade respira história e se orgulha de fabricar os melhores vinhos da Europa e talvez do mundo.
Saint Emillion,próxima a Bordeaux possui um dos maiores parrerais da França. Cultiva a uva para a fabricação de três tipos de vinhos de acordo com cada solo ali existente. Saint Emillion é uma cidadezinha que parece perdida entre os parrerais , mas com cenários de arrepiar: igrejas construídas com pedras, mosteiros, ruas que parecem dormir num sonho medieval. Jamais vou esquecer que estive lá.
De Bordeaux a Madri, fomos de trem, o que além de vermos paisagens interessantes, tínhamos a oportunidade de bater um papo descontraído com os maratonistas e amigos pernambucanos  que nos acompanhavam desde a Maratona de Paris.
Já na Espanha, Madri é calma, espaçosa, tranquila. Os espanhóis assemelham-se aos brasileiros pela alegria e amor ao futebol. Valeu muito conhecer a Plaza Maior, a feira de Rastro, o Palácio Real, o Estádio Santiago de Bernabeu (Real Madri),  e outros monumentos que contam a historia desta bela capital.

Toledo, Santo Deus! Como é que pode ser tão diferente e tão linda ao mesmo tempo?
Três culturas por ali passaram: a muçulmana, a judáica e a católica, vivendo em harmonia; razão portanto de tantos monumentos preservados, o que lhe garantiu o título de “Cidade Patrimônio da Humanidade”.
O Rio Tejo, testemunha de grandes e históricas navegações, é beleza de tirar o fôlego quando olhamos  a paisagem da estrada sinuosa bem próxima  aos rochedos que  cercam esta cidade, pátria do pintor El Greco.
O que dizer de Barcelona, berço e orgulho do povo catalão?
É moderna, eufórica, vibrante, cosmopolita...Mas é também guardiã do passado ao preservar e valorizar principalmente as obras do famoso arquiteto Gaudi que ainda hoje são admiradas e intrigam arquitetos do mundo inteiro.
Cansada dos muitos “cliques” de turista às vezes distraída, resolvi fotografar as flores que me chamassem a atenção durante o percurso Paris/Barcelona. Afinal, poeta tem dessas coisas...  
E pra começar, nada melhor que homenagear a nossa querida Pátria,( É tão bom estar em casa!) através deste poema de Castro Alves escrito em 1870 ( ha 141 anos). Isto prova que poesia não tem idade... e que a beleza da flor é eterna em sua fugacidade.

AS DUAS FLORES
São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez no mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.
..........................................
Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!
                 ( Poeta Castro Alves, 1870)


 Paris,2011


Paris, 2011
Bordeaux, França, 2011

Bordeaux, França, 2011


Saint Emillion,França 2011
Parque Retiro,MADRI 2011


Toledo,Espanha 2011

Barcelona,Espanha,2011

Barcelona,Montjuic,Espanha,2011


Após essa foto, no final da viagem em Barcelona, lembrei-me da estrofe de um hino religioso que diz assim:
     " Fica sempre um pouco de perfume
Nas mãos que oferecem rosas
          Nas mãos que sabem ser generosas".


Que haja sempre em nossas vidas o encanto e a poesia das FLORES.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Aldeia PE: um paraiso preservado

" Quanto é grande o poder da Natureza"


Muitos poetas já cantaram este mote. E a Natureza  merece muito mais...




Estando em Aldéia, ( Camaragibe PE) saí pela manhã com ares de fotógrafa e coração de poeta.

Como poderia passar indiferente à beleza pura,  simples e às vezes estonteante das flores que se debruçam nas janelas das casas  e nos canteiros dos jardins tão bem cuidados? E o perfume dos eucaliptos?



 Como nordestinos que somos, flor resistente da aridez sertaneja, lembrei-me logo de uma estrofe do poeta Manoel Filó, de Tuparetama:

 " Eu admiro demais
O mistério da roseira.
Quando uma rosa emurchece
Nasce outra rosa que cheira
Sem diferença nenhuma
Do perfume da primeira."



Ou ainda nessa estrofe do poeta Rogério Menezes:

"Toda rosa tem perfume,
pois a criação é santa.
Na rosa, a abelha beija,
no galho, o sabiá canta.
A rosa é mãe da semente
e a semente é mãe da planta.



E como a Natureza é livro aberto que ensina, educa e às vezes repreende, terminei meu passeio matinal admirando os últimos  lampejos da mata atlântica que fica dentro do condomínio "CASA GRANDE DE ALDEIA".



Pela voz da  Natureza, Deus permanece nos velhos troncos, nos galhos verdes e no intrincado de algumas árvores que coam os raios solares em defesa da manta vegetal, protetora do solo nessa região.




Mas...
 a mão cruel e insensata do homem
também passou por lá...
            E a mata chora lágrimas
                    de folhas secas pelo chão!


" NATUREZA sinônimo de existência,
garantia da vida no universo...
Condenaram-te as leis da violência,
Desvastaram-te em nome do progresso...
Mas o homem maldoso cuja vida,
Cada dia, vê menos protegida,
S'ta sofrendo os efeitos da ambição...
E a voz da razão gritar dizendo
Que ele para e repara o crime horrendo,
Ou então morrerá por sua mão."
                                   
                               ( Poeta tabirense Dedé Monteiro)

Que o Condomínio Casa Grande de Aldeia continue sendo exemplo de amor à Natureza.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Duas lagartas verdes num dia de verão


                 


Era um dia de verão. Desses que agricultor nenhum deseja, pois o sol causticante passava soltando boca de fogo nas lavouras do sertão.
 Um a um, em fileiras, os pés de milho arfavam e vergavam sob o efeito dos dias secos e ensolarados. Até as gotinhas de orvalho já não davam conta de amenizar a alta temperatura.Acima havia Deus em sua infinita misericórdia. Logo abaixo, grossas nuvens e o brilho distante dos relâmpagos anunciavam chuvas. Na terra, um sertanejo teimoso não perdia a esperança de um bom inverno com farta colheita.

As plantas cresciam mesmo em sofrimento, guardando o mistério que há nos esconderijos do subsolo...
Naquele dia, tudo no roçado parecia mergulhado em silêncio... Puro engano: quem tinha ouvidos ecológicos entendia muito bem o que aquelas duas gordas e vorazes  lagartas verdes diziam:
_ “Esta folha é minha, venho guardando-a desde que a sementinha foi lançada ao solo.Folha carnuda, nova e bem cheirosa é meu prato favorito”.dizia a primeira lagarta.
_ “Tenho eu o mesmo direito: é folha, eu sou lagarta e a propriedade é comum.Por que não posso saboreá-la também?” Reclamava a segunda lagarta.
E nesse tira- teima, cada uma abocanhava partes da mesma folha que logo desaparecia, vítima da gula e da insensatez das duas lagartas devoradoras.
O tempo passou... Com poucas chuvas, muitas novenas pra S. José e o zelo incansável do plantador de esperanças, o milho cresceu e deu boas espigas.

As comilonas lagartas verdes agora são duas lindas e suaves borboletas que passam beijando de leve a cabeleira esvoaçante das espigas de milho, douradas pela luz da manhã.
Olhei bem aquelas duas borboletas, duas amigas inseparáveis. Do passado, apenas uma pequena listra verde, entre outras listras, dava mais realce ao seu novo e colorido vestuário.
E o agricultor inimigo das lagartas, mas amante das borboletas, tudo esquece só pela felicidade de ver o bailado daquelas ninfas azuis, brancas, amarelas...no espaço abençoado da tarde sertaneja que traduz a poesia das pequenas coisas nas asas diáfanas de uma borboleta.
Ah! Se o nosso mundo interior fosse também assim.
Que o bem sempre vencesse o mal.
Que das sombras da ganância pudesse frutificar a bondade.
Dos entulhos do erro, brotasse a VERDADE qual fênix renasce das cinzas...
Ah! Se o nosso coração cada vez mais pudesse ser assim na troca feliz, divina e humanitária da mágoa pelo PERDÃO.
                    Do ódio pelo AMOR.
                    Da escuridão pela LUZ DO INFINITO.
Ah! se o nosso mundo fosse sempre assim...

                                                         Dulce Lima
                                                     
                                                        Tabira, 27/04/2006

Para os leitores do meu blog, esta crônica, desejando felicidades e um bom inverno. E que o colorido das borboletas continue pintando de muitas cores as manhãs e as tardes aqui no sertão. Abraços de Dulce Lima, em 30/03/2011
              
                   



quinta-feira, 17 de março de 2011

A magia dos teus cabelos encaracolados






O mar era o teu encanto primeiro...





A areia escorria dos pés tão pequenos e o vento acariciava teu rosto " por baixo dos caracóis dos teus cabelos".



Um quê de graça e de mistério ora se escondia, ora se revelava no teu semblante de espanto ou de ternura diante da imensidão do mar...






As ondas como um brinquedo da natureza vinham te abraçar, deixando como presente a sinfonia nordestina de " Um galope à beira-mar":




No verde das ondas que passam beijando
Teus lindos "cabelos encaracolados",
Na espuma que borda esses teus pés molhados...
 Assim, eu te vejo com  Deus te abraçando!
E aquela sereia, de longe acenando,
Embarca risonha no teu cirandar.
A nuvem se esconde pra brisa passar;
Enquanto na praia, JOÃO corre feliz,
Vestido de areia, menino-aprendiz
Que canta galope na beira do mar!

Carapibus - Carnaval 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

Soneto CONTRASTE, de Padre Antônio Thomaz




Contraste

Quando partimos no verdor dos anos,
Da vida pela estrada florescente,
As esperanças vão conosco à frente,
E vão ficando atrás os desenganos.

Rindo e cantando, céleres, ufanos,
Vamos marchando descuidosamente;
Eis que chega a velhice, de repente,
Desfazendo ilusões, matando enganos.

Então, nós enxergamos claramente
Como a existência é rápida e falaz,
E vemos que sucede, exatamente,

O contrário dos tempos de rapaz:

 – Os desenganos vão conosco à frente,
E as esperanças vão ficando atrás.


       ( Que belo soneto do Padre Antônio Thomás, cearense de Aracati, eleito em 1925, Príncipe dos poetas cearenses)